AMOTINADOS

11.7.18

A lua que anda


Pressentes? O meu mais perfeito presente é a tua presença. Reparas? Rodopio ausente, carente de tua querência. Compreendes? Entoo cantos e contos qdo tua luz clareia os corpos celestes. Lua, teus olhos de satélite afastam as sombras e inundam de magias e presságios o meu derredor. (D.Álvares)

15.1.18

Oblíquo

Num tempo não muito longínquo, oblíquo, meus dias eram assim: obtusos, instáveis, sem vínculos, uma amargura sem fim. Aí veio vc, lábios úmidos, sorrisos, promessas, lançando o brilho dos seus olhos em mim. Playlist embaralhando Nando Reis, Ben Caplan, Cartola e Jobim. E a minha apequenada existência, até então um quintal apinhado de poeira, bagulhos, seixos e capim, transformou-se em um luminoso e elaborado jardim. (D.Álvares)

15.2.17

Letras corsárias

A minha poesia é corsária, indomável e hostil: navega nas indecências das ondas indômitas, na força dos mares bravios. Prosa presunçosa, vigorosa, marginal: bandana blindando a calva, medalha de Jorge trancando o corpo, o sol impregnado na alma, o porto, a brisa, o sal. Bandeira da paz içada no mastro, velas ao vento, sem cais, norte, sem lastro.  (D.Álvares)

5.8.16

Poeminha fofo

Foto: Luiz Baltar

Enxugar as próprias lágrimas é fácil, quero ver vc secar o pranto do outro, abandonar esse seu lado escroto, sacar que o sistema anda armado, te quer escravo ou boiando no esgoto. Vou esperar sentado vc perder a mania de querer sempre o topo, varrer das ideias o entulho, a merda, o mofo, tirar o cheiro de perfume burguês do corpo, perceber o inevitável, a mutação, a força avassaladora do novo. (D.Álvares)

20.7.16

Livre

Perdoe-me, eu não sou o seu humano adestrado. Não trago regras, não uso régua, nem compasso. Sou alforriado, bicho solto no mato, e te quero livre como um pássaro. Não sou animal de estimação. Sem embaraço, sou fogo, vento e aço. Desobrigado sou grato, mas não me dobro: amarre vc mesmo os seus cadarços. (D.Álvares)