AMOTINADOS

15.2.17

Letras corsárias

A minha poesia é corsária, indomável e hostil: navega nas indecências das ondas indômitas, na força dos mares bravios. Prosa presunçosa, vigorosa, marginal: bandana blindando a calva, medalha de Jorge trancando o corpo, o sol impregnado na alma, o porto, a brisa, o sal. Bandeira da paz içada no mastro, velas ao vento, sem cais, norte, sem lastro.  (D.Álvares)

5.8.16

Poeminha fofo

Foto: Luiz Baltar

Enxugar as próprias lágrimas é fácil, quero ver vc secar o pranto do outro, abandonar esse seu lado escroto, sacar que o sistema anda armado, te quer escravo ou boiando no esgoto. Vou esperar sentado vc perder a mania de querer sempre o topo, varrer das ideias o entulho, a merda, o mofo, tirar o cheiro de perfume burguês do corpo, perceber o inevitável, a mutação, a força avassaladora do novo. (D.Álvares)

20.7.16

Livre

Perdoe-me, eu não sou o seu humano adestrado. Não trago regras, não uso régua, nem compasso. Sou alforriado, bicho solto no mato, e te quero livre como um pássaro. Não sou animal de estimação. Sem embaraço, sou fogo, vento e aço. Desobrigado sou grato, mas não me dobro: amarre vc mesmo os seus cadarços. (D.Álvares) 

4.2.16

Poesia de calcinha

A minha poesia não é construção, antes avaria. Mistura de prazer, dor, gozo, agonia. Inópia poesia. Despida de teses, tratados, teorias. Assim é minha poesia. Argamassa de ilusão, ansiedade, expiação, ironia. Minha poesia não detém ensinamentos; pária sem sabedoria. Comporta, inclusive, equívocos de ortografia. Minha poesia não é performance, melodia, produto, mercadoria. Algumas vezes anarquia, outras, tirania. Minha poesia é fraude ordinária, mela calcinha, melancolia. (D.Álvares)

2.6.15

Afago

Queres me afagar? Não me tomes por patrão, catedrático, doutor, barão.  Soy pacato, meio beat, new age temporão, quase hippie, poeta, devoto. Aviador na cara, jaqueta de couro,  sorriso por trás da barba, all star e uma moto. (D.Álvares)